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segunda-feira, maio 17, 2010

Nó na garganta

Quando eu era criança, sentia muita saudade da minha terra natal, no interior do RS, onde passava todos meus dias de férias escolares. Voltava para Porto Alegre de ônibus, e quando enxergava as luzes da cidade brilhando ao longe, engolia um choro que escondia por vergonha de demonstrar meus sentimentos. Uma vez, de tanta segurar lágrimas e soluços, tive dor e um nó de garganta. Ao chegar em casa, sendo recebida por minha mãe, esta percebeu o motivo do meu nó na garganta e me abraçou. Poucos abraços e beijos recebi de minha mãe, mas esse eu jamais esqueci.
Como é bom ser entendido na dor sentida! Como é reconfortante só o fato de saber que tem alguém no mundo que te entende, apenas isso...
Meu amigo pai que enviou este depoimento, o teu silêncio falou por mil palavras... não publiquei no espaço "Seu depoimento" porque espero que um dia possas nos ajudar a compreender melhor a alienação parental falando dos teus sentimentos.
Transcrevo a tua fala aqui, em especial, por ter me dado um nó na garganta, revivendo sensações que vivi há muitos anos e que tenho revisitado nas emoções de pais, mães e filhos que sofrem ausências de seus familiares:
"Oi, te prometi um depoimento, mas acho que não vai rolar, é que sempre que começo a escrever sobre o assunto algo me trava.
Proteção, fuga, sei lá, só sei que não consigo escrever. É que todo o esforço que faço pra lembrar, faz parte de uma grande vontade de esquecer. "
Obrigada, viu?
Sou mãe

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