Quando eu era criança, sentia muita saudade da minha terra natal, no interior do RS, onde passava todos meus dias de férias escolares. Voltava para Porto Alegre de ônibus, e quando enxergava as luzes da cidade brilhando ao longe, engolia um choro que escondia por vergonha de demonstrar meus sentimentos. Uma vez, de tanta segurar lágrimas e soluços, tive dor e um nó de garganta. Ao chegar em casa, sendo recebida por minha mãe, esta percebeu o motivo do meu nó na garganta e me abraçou. Poucos abraços e beijos recebi de minha mãe, mas esse eu jamais esqueci.
Como é bom ser entendido na dor sentida! Como é reconfortante só o fato de saber que tem alguém no mundo que te entende, apenas isso...
Meu amigo pai que enviou este depoimento, o teu silêncio falou por mil palavras... não publiquei no espaço "Seu depoimento" porque espero que um dia possas nos ajudar a compreender melhor a alienação parental falando dos teus sentimentos.
Transcrevo a tua fala aqui, em especial, por ter me dado um nó na garganta, revivendo sensações que vivi há muitos anos e que tenho revisitado nas emoções de pais, mães e filhos que sofrem ausências de seus familiares:
"Oi, te prometi um depoimento, mas acho que não vai rolar, é que sempre que começo a escrever sobre o assunto algo me trava.
Proteção, fuga, sei lá, só sei que não consigo escrever.
É que todo o esforço que faço pra lembrar, faz parte de uma grande vontade de esquecer. "Obrigada, viu?
Sou mãe

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